Conferência Rio Clima reúne mais de 80 especialistas e uma platéia de cerca de 500 pessoas, para debater rumos das mudanças climáticas  

Nos dias 13 e 14 de junho, a Conferência Rio Clima 2017 reuniu mais de 80 especialistas, entre acadêmicos, gestores públicos, representantes da área científica e do setor privado da economia no Centro de Convenções da FIRJAN, no Rio de Janeiro. O encontro internacional – que contou com a presença de franceses, americanos, indianos, brasileiros e um norueguês – foi organizado pelo Centro Brasil no Clima e o Instituto OndAzul, com apoio do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Na platéia, mais de 500 participantes estiveram atentos aos painéis e mesas de debates.

 

O tema-chave proposto pelos organizadores foi “a descarbonização da economia”, mas o evento também foi marcado pela comemoração dos 25 anos da Rio92 e das bodas de prata da Convenção do Clima. Um dos resultados esperados para encontro foi alcançado:

 

“queríamos participação do governo e tivemos aqui dois ministros, um representante da Casa Civil e mais dois gestores públicos, isso só do governo federal. Também reunimos representantes de empresas privadas de setores estratégicos, como o de energia e de bancos. Foi um debate de altíssimo nível, com muitos avanços, questionamentos e, sobretudo, comprometimento entre as partes”, diz o diretor-executivo do Centro Brasil no Clima, Alfredo Sirkis, à frente da Convenção.

A mesa de abertura desta quarta edição do Rio Clima contou com o embaixador José Antônio Marcondes, do Ministério de Relações Exteriores, Erik Solheim, diretor executivo da ONU Meio Ambiente, o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili, Eduardo Eugenio Gouvêa, presidente da Firjan, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e Alfredo Sirkis, que também é secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. A secretária municipal de Fazenda, Maria Eduarda Berto, representou o prefeito Marcelo Crivella.

 

A mesa “A governança climática no Brasil. O que muda com o Acordo de Paris?” trouxe um debate sobre que tipo de governança climática é necessária para que o Brasil possa cumprir seu Compromisso Nacionalmente Determinado (NDC) e foi composta por Carlos Minc, Eduardo Viola, Rachael Biderman, Natalie Understell, André Andrade, representante da Casa Civil.

 

O painel “Mecanismos econômicos para a descarbonização” reuniu VikramWidge, Chefe da Iniciativa de Finanças Climáticas e Carbono do International FinanceCorporation, Vincent Aussilloux, Chefe de Economia-Finanças da France Strategie, Marina Gross, economista, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Alfredo Sirkis, Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Everton Lucero, Secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, e Aloísio Melo, Coordenador Geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério da Fazenda.

 

O economista Dipak Dasgupta, que foi 17 anos do Banco Mundial e é fundador do Fundo Verde do Clima, foi uma das falas mais aguardadas do dia e manteve atenda uma platéia de quase 400 participantes.

 

O penúltimo painel “Inovação tecnológica para a descarbonização, desafios globais e específicos” foi mediado pela jornalista Sonia Araripe, editora da Plurale em Revista e Plurale em site. No debate, os caminhos mais promissores e os gargalos em termos de inovação nos diversos setores, os entraves no Brasil no caminho da inovação e como superá-los foram abordados pelo cientista Roberto Shaeffer, do COPPE, Suzana Khan, cientista do IPCC, Sergio Leitão, do Instituto Escolhas, e o secretário de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco, Sergio Xavier.

 

Para encerrar o primeiro dia de trabalho Luís Pinguelli Rosa, do COPPE, Carlos Ritll, do Observatório do Clima, e Ana Toni, do Instituto Clima e Sociedade, foram mediados por Aspásia Camargo e fizeram as considerações finais e recomendações para florestas e agropecuária, energia, mobilidade, indústrias e cidades.

 

O segundo dia de trabalho, 14 de junho, foi uma reunião fechada que começou às 9 horas da manhã e só foi encerrada perto das 18 horas da noite.  O tema eram os “novos caminhos para descarbonização da economia”. Numa mesa modelo ONU, 33 especialistas debateram à exaustão. “Desse encontro, saíra uma proposta, uma carta de recomendações para que possamos avançar na contenção do aquecimento do planeta, contribuindo para mudar o quadro, que hoje é aterrador. Temos que nos comprometer e agir já. Não é possível protelar a questão climática”, garante Alfredo Sirkis.

“A área econômica é tão importante para o clima, quanto a ambiental. Precisamos discutir mecanismos econômicos para a descarbonização.”

Alfredo Sirkis

Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

“Os EUA saíram do Acordo de Paris e mesmo sendo uma potência, estão na contramão. Por isso, são eles que perdem, pois a economia produtiva mundial não concorda com essa decisão.”

Dipak Dasgupta

Economista e fundador do Fundo Verde para o Clima

“Se o Brasil, os Estados Unidos, a China e todos os países trabalharem juntos, as questões climáticas ganharão força e as práticas para diminuir as mudanças funcionarão.”

Erik Solheim

Diretor executivo da ONU Meio Ambiente

Revista Rio Clima